Cenpreorto faz ação social para crianças com Síndrome de Down

Trabalhar em uma clínica odontológica proporciona que seus dentistas e funcionários conheçam pessoas extraordinárias e, às vezes, até mudar a sociedade e a vida de pessoas. É o caso da Clínica Cenpreorto, que criou uma ação social e, junto com parceiros, leva tratamentos odontológicos as crianças com Síndrome de Down.

Confira a entrevista com uma das voluntárias e parceira da ação social, dra. Maria Inês Prado Lopes.

Como começou a Ação Social do Cenpreorto?

Começou há sete anos, em função da nossa busca em aprender a trabalhar com crianças com Síndrome de Down.  Quando chegou a primeira criança com síndrome no nosso consultório, nós não sabíamos como fazer para trabalhar com essa criança, que era um pouco diferente das outras. Não tínhamos nenhum conhecimento sobre como fazer o tratamento, então começamos a buscar diversas formas de aprender as particularidades dentro da Síndrome de Down, para poder prestar um serviço da melhor qualidade para as crianças.

Como é o programa da Ação Social?

No primeiro momento, a gente queria fazer e começar a divulgar o nosso trabalho, tentar trazer outras pessoas ou levar até para outras clinicas, mas acabou sendo uma parte difícil pelo tempo limitado. Eu teria o maior prazer de receber as pessoas aqui, mostrar como é o trabalho, como cheguei aqui, facilitar até para quem mais quiser participar ou ver e montar o seu próprio programa.

Quem são os parceiros? 

Trabalhamos com a Associação Reviver Down, na verdade esses pacientes fazem parte da associação e recebem o atendimento no Hospital de Clínicas. A equipe da Reviver Down que nos ajuda a fazer triagem, saber quem são os pacientes que mais precisam vir.

O que motivou a criar a ação social?

O dr. Rosalvo Amaral, resolveu fazer um trabalho no ambulatório de Síndrome de Down, no Hospital de Clínicas, com a dra. Vera Carneiro, que desenvolvia um trabalho com crianças, desde recém-nascidos, para educar o posicionamento de língua, ajudar na questão de vedamento labial, que são coisas muito importantes para as crianças.

Nesse período ele pode observar que o trabalho desenvolvido tinha uma limitação, as crianças só conseguiam ser atendidas até por volta de dois anos, dois anos e meio e, quando chegava nesse momento, a estrutura do hospital não permitia outros procedimentos. Mesmo os profissionais que estavam lá, não tinham formação na área de ortodontia e ortopedia funcional dos maxilares, que são as duas especialidades que permite dar um tratamento com relação ao crescimento facial por um período maior, e sempre tive vontade de fazer um trabalho voluntário, parecia que faltava alguma coisa.

Foi aí que decidimos montar um projeto junto com eles, para que quando essas crianças tivessem por volta de três anos, viessem aqui no Cenpreorto para dar continuidade ao trabalho. Montamos um projeto, começamos a buscar parceiros, tentando ver como poderíamos viabilizar isso, se tinha como as crianças irem ao nosso consultório, porque precisava de toda uma estrutura que no HC não existia.

Quantas crianças são atendidas?

O projeto é pequeno, a abrangência não é muito grande, atendemos um volume pequeno. Eu destino ao projeto uma tarde ao mês. Toda segunda-feira do mês é dia de projeto, então consigo atender entre seis a oito crianças.

Quais os diferenciais em tratar crianças com Down na Odontologia?

É diferente, porque o amadurecimento intelectual às vezes é mais tardio, a comunicação às vezes é dificultada pela fala, nem sempre as crianças ouvem aquilo que você está falando, tem toda uma particularidade de desenvolvimento facial diferente, da questão óssea, da musculatura, postural e, tudo isso tem que ser visto desde o começo e trabalhado de uma maneira que seja mais adequada e que possa trazer um melhor resultado para as características próprias das crianças.

Como as crianças se comportam?

Às vezes é difícil o comportamento. Por mais que eles cheguem aqui e na hora de deitar na cadeira, eles não querem. Mas quando termina a consulta, é um abraço, um beijo, eles têm aquele carinho. São poucas as pessoas que se propõem a fazer o sacrifício, porque é um sacrifício pessoal, ficar se desdobrando para conseguir completar o tratamento, mas quando você vê que conseguiu, que resolveu um problema, dá uma alegria muito grande.

Qual a importância desta ação para a sociedade?

A importância é, poder fazer um pouquinho, mesmo que o todo seja muito grande, mas é uma gotinha de água no oceano, servir como exemplo e motivação para outros profissionais que talvez olhando esse trabalho se motivem a fazer uma coisa semelhante, que isso possa crescer, frutificar e atingir um número bem maior de pessoas.

Como você se sente participando da Ação Social?

Eu me sinto muito feliz em dar um pouco de tudo que eu sei, de todo o meu conhecimento, também para as pessoas que não podem arcar com esse pagamento, sentir que eu estou sendo útil de alguma forma para a sociedade que a gente vive, podendo somar, nem que seja só um pouquinho.

Colaboração: Rafaela Lorenzen